Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis
O armazenamento e o manuseio de líquidos inflamáveis e combustíveis estão presentes em indústrias químicas, farmacêuticas, alimentícias, centros logísticos, bases de distribuição, oficinas, áreas de pintura e diversas outras operações.
Esses produtos podem ser armazenados em tanques estacionários, tambores, bombonas, recipientes intermediários para granéis (IBC) ou tanques portáteis. Cada configuração apresenta condições específicas de risco e pode exigir medidas diferentes de contenção, ventilação e proteção contra incêndio.
Por isso, a segurança da instalação não deve ser definida apenas pela quantidade total armazenada. O projeto precisa considerar as características do produto, os recipientes utilizados, a forma de armazenamento e as operações realizadas no local.
O que deve ser analisado no projeto?
O ponto de partida é identificar corretamente os produtos e compreender como serão armazenados e manuseados. Entre as principais informações necessárias estão:
- Ponto de fulgor e classificação dos líquidos;
- Quantidade total armazenada;
- Capacidade individual dos recipientes ou tanques;
- Armazenamento em tanques estacionários, tambores, bombonas ou IBCs;
- Utilização de armazenamento interno ou externo;
- Altura e configuração do armazenamento;
- Existência de operações de transferência, envase ou carga e descarga;
- Características construtivas e distâncias em relação a outras áreas de risco.
Essas informações determinam os critérios de proteção aplicáveis. Uma área com pequenos recipientes possui características diferentes de um parque de tanques ou de uma plataforma de carregamento de caminhões.
Tanques estacionários e armazenamento fracionado
Os requisitos técnicos variam conforme a forma de armazenamento. Nos tanques estacionários, devem ser analisados aspectos como capacidade, tipo de tanque, características construtivas, respiros, distanciamentos, contenção de vazamentos, tubulações e condições de carregamento e descarregamento.
Já o armazenamento fracionado envolve recipientes como tambores, bombonas, latas, tanques portáteis e IBCs. Nesse caso, o projeto deve avaliar:
- Quantidades máximas permitidas;
- Altura e organização das pilhas ou estruturas-suporte;
- Largura dos corredores e compatibilidade entre os produtos;
- Tipo e material dos recipientes;
- Condições de ventilação e proteção contra impactos;
- Sistema de proteção contra incêndio.
Armazenamento fracionado em IBCs e tambores, com recipientes apoiados sobre sistemas de contenção. Foto: acervo Evolueng Engenharia.
Ponto importante: a substituição de tambores metálicos por IBCs plásticos pode alterar significativamente o risco e os critérios necessários para a proteção da área.
Controle de vazamentos e contenção
Vazamentos e derramamentos podem espalhar líquidos inflamáveis por grandes áreas, alcançar fontes de ignição e contribuir para a propagação do incêndio. Por esse motivo, o projeto pode exigir sistemas de contenção, como:
- Bacias de contenção e diques;
- Canaletas e pisos com caimento;
- Barreiras ou soleiras;
- Pallets de contenção;
- Sistemas de drenagem e coleta.
O dimensionamento deve considerar o volume armazenado, a configuração da instalação, as características dos produtos e a possível presença de água proveniente dos sistemas de combate a incêndio.
Também é necessário definir a destinação segura dos líquidos retidos. A contenção não deve direcionar o vazamento para redes pluviais, áreas ocupadas ou outros locais onde possa ampliar o risco.
Ventilação, vapores e fontes de ignição
Determinados líquidos podem liberar vapores inflamáveis capazes de formar atmosferas perigosas, especialmente em áreas fechadas, operações de transferência ou recipientes abertos. O projeto deve avaliar:
- Ventilação natural ou mecânica;
- Acúmulo de vapores em pontos baixos;
- Fontes de calor, faíscas e chamas abertas;
- Equipamentos elétricos instalados no ambiente;
- Aterramento, equipotencialização e controle de eletricidade estática;
- Necessidade de classificação de áreas.
A instalação elétrica deve ser compatível com a classificação da área, quando aplicável. Não basta utilizar equipamentos aparentemente protegidos: sua especificação deve considerar a zona classificada e as características das substâncias presentes.
Transferência, carregamento e descarregamento
As operações de transferência aumentam a possibilidade de vazamentos, liberação de vapores e geração de eletricidade estática. Áreas de abastecimento, envase, carga e descarga devem ser avaliadas quanto a:
- Conexões, tubulações e mangotes utilizados;
- Controle de derramamentos;
- Aterramento dos equipamentos e veículos;
- Proteção contra movimentação acidental;
- Distâncias de segurança e procedimentos operacionais;
- Interrupção emergencial da operação;
- Acesso das equipes de emergência.
A proteção deve ser compatível não apenas com o armazenamento, mas também com a forma como os líquidos circulam e são utilizados na instalação.
Sistemas de proteção contra incêndio
A proteção necessária depende do tipo de líquido, da quantidade armazenada, do arranjo físico e das características da operação. Conforme o risco, podem ser exigidos:
- Extintores, hidrantes e chuveiros automáticos;
- Sistemas de resfriamento e canhões monitores;
- Sistemas de espuma ou dilúvio;
- Detecção de incêndio ou de gases;
- Plano de emergência e brigada de incêndio.
Em determinados riscos, a aplicação exclusiva de água pode não ser suficiente para controlar o incêndio. Sistemas de espuma podem ser necessários para formar uma camada sobre a superfície do líquido, reduzir a liberação de vapores e auxiliar no controle das chamas.
O dimensionamento deve considerar a demanda hidráulica, a taxa de aplicação, o tempo de funcionamento, o volume de concentrado de espuma, as características dos equipamentos e a reserva de incêndio.
Aplicação de espuma em tanque de armazenamento durante simulação de emergência, ilustrando uma das soluções possíveis para riscos com líquidos inflamáveis. Imagem ilustrativa.
Compatibilização com a operação industrial
O projeto de segurança contra incêndio deve ser compatibilizado com o processo produtivo, o layout, as estruturas, as instalações elétricas, a drenagem, as tubulações e a movimentação de veículos.
Alterações como aumento da quantidade armazenada, mudança do produto, substituição dos recipientes, instalação de novos tanques, transferência para área interna ou criação de plataformas de carga e descarga podem modificar o risco e exigir revisão do projeto aprovado.
Projeto, regularização e documentação
O projeto deve representar a situação real da instalação e apresentar as informações necessárias para análise e execução das medidas de segurança. Dependendo do empreendimento, podem ser necessários:
- Plantas e cortes das áreas de armazenamento;
- Identificação dos produtos e respectivas quantidades;
- Detalhamento dos tanques, recipientes, distâncias e isolamento entre riscos;
- Dimensionamento das contenções;
- Projeto dos sistemas de água, espuma ou dilúvio;
- Memória de cálculo hidráulico;
- Classificação das áreas elétricas;
- Plano de resposta a emergências e documentos de responsabilidade técnica.
A documentação da NR 20 e o projeto de segurança contra incêndio possuem objetivos relacionados, mas não são necessariamente o mesmo documento. Ambos devem representar de forma coerente as condições reais da instalação.
Normas e critérios técnicos
No Estado de São Paulo, o projeto deve observar o Regulamento de Segurança Contra Incêndio, a IT 25/2025 do Corpo de Bombeiros e as demais Instruções Técnicas aplicáveis.
Também devem ser consideradas as partes pertinentes da ABNT NBR 17505, que tratam do armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis, além dos requisitos da NR 20 relacionados à segurança e à saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis.
Conforme as exigências da seguradora ou os padrões corporativos do empreendimento, também podem ser adotadas referências como a NFPA 30 e as Data Sheets da FM Global. As normas e os critérios aplicáveis devem ser definidos no início do projeto e utilizados de forma consistente.
Projeto especializado reduz riscos operacionais
A proteção de instalações com líquidos inflamáveis e combustíveis exige uma análise integrada do produto, do armazenamento, das operações e dos sistemas de combate a incêndio.
A Evolueng Engenharia desenvolve projetos e estudos para indústrias, centros logísticos e instalações com riscos específicos, incluindo análise do armazenamento, dimensionamento de contenções, sistemas de hidrantes, espuma e dilúvio, cálculo hidráulico, compatibilização, atualização e regularização de projetos.
Para uma avaliação inicial, é importante informar os produtos armazenados, as respectivas quantidades, os tipos de recipientes ou tanques, as operações realizadas e a existência de projeto aprovado.
Solicite uma avaliação técnica: entre em contato com a Evolueng Engenharia para avaliar as medidas de segurança necessárias para sua instalação.
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